Celeste Leite dos Santos analisou dados preocupantes que apontam para uma geração incapaz de lidar com a rejeição, transformando a frustração em violência fatal.
A presidente do Instituto Pró-Vítima, Celeste Leite dos Santos, concedeu recentemente uma entrevista ao Jornal da Record para debater uma realidade sombria e cada vez mais frequente no Brasil: o fato de a violência doméstica estar fazendo vítimas de feminicídio cada vez mais jovens.
Durante a reportagem, a especialista aprofundou a análise sobre o perfil dessas ocorrências, trazendo à luz estatísticas que exigem atenção imediata da sociedade, da educação e do poder público.
Números que exigem ação
Os dados expostos desenham um cenário de alerta máximo. No estado de São Paulo, por exemplo, as estatísticas mostram que uma em cada quatro mulheres assassinadas por seus companheiros ou ex-companheiros tem menos de 29 anos de idade.
O perfil etário também se reflete nos canais de denúncia. No último ano, a Central 180 (Atendimento à Mulher) registrou mais de 150 denúncias de violência doméstica no recorte destacado. Deste montante, quase 29% das vítimas e mais de 4% dos agressores encontravam-se na faixa etária de 16 a 34 anos.
A intolerância ao “não” e a cultura da violência
Para a presidente do Instituto Pró-Vítima, os números vão além da frieza das estatísticas: eles diagnosticam um grave problema de comportamento e de mentalidade que está custando a vida de mulheres cada vez mais cedo.
A constatação da presidente reforça a premissa de que o endurecimento penal, embora necessário, não é suficiente de forma isolada. Trata-se de uma realidade que pede ações integradas e imediatas. O combate efetivo ao feminicídio entre as novas gerações depende de uma urgente mudança cultural, educacional e estrutural no país, ensinando desde cedo sobre o respeito, a igualdade de gênero e o enfrentamento à cultura de posse.




