No dia 13 de maio de 2026, o Sindicato dos Trabalhadores na Saúde no Estado de São Paulo (Sindsaúde) realizou, no Teatro Raul Cortez, a cerimônia de entrega da honraria Heróis da Saúde. O evento, conduzido pelo presidente da entidade, Jefferson Caproni, teve como objetivo formalizar o reconhecimento de trajetórias e projetos que apresentaram resultados mensuráveis no enfrentamento às crises sanitárias e sociais decorrentes da pandemia de COVID-19. Entre os homenageados, figuraram a Presidente do Instituto Pró-Vítima, Celeste Leite dos Santos, e a associada da instituição, Andrea Vaz, cujas atuações foram destacadas pela implementação de protocolos de acolhimento e suporte técnico-jurídico.
A concessão desta honraria não se limita ao caráter celebrativo, mas insere-se em um contexto de validação de metodologias de intervenção em crises. A análise das justificativas para a premiação aponta para a eficácia de modelos de gestão que integram o suporte psicológico à defesa dos direitos fundamentais, estabelecendo um nexo causal entre a assistência imediata e a preservação da integridade institucional dos serviços de saúde e justiça.
Contexto Epidemiológico e Social: A Pandemia como Evento Traumático Coletivo
Para compreender a relevância das ações desenvolvidas pelo Ministério Público, é necessário analisar o cenário de 2020-2021 sob a ótica da vitimologia e da saúde pública. A pandemia de COVID-19 não se restringiu a um fenômeno biológico; ela atuou como um disruptor de estruturas sociais, gerando uma massa crítica de indivíduos em situação de vulnerabilidade extrema. O isolamento social, a perda súbita de provedores familiares e a exposição contínua ao risco de morte criaram um ambiente de trauma coletivo persistente.
Nesse período, observou-se uma lacuna nos mecanismos tradicionais de suporte. Enquanto o sistema hospitalar focava na sobrevivência biológica, as sequelas psicológicas e as demandas por justiça das vítimas e de seus familiares careciam de um protocolo unificado. Foi nesse hiato que as intervenções técnicas de Celeste Leite dos Santos e Andrea Vaz se estruturaram, visando preencher a demanda por um acolhimento que fosse, simultaneamente, técnico, jurídico e humanitário.
Projeto Higia Mente Saudável: Metodologia e Escopo Operacional
O Projeto Higia Mente Saudável foi concebido como uma resposta estruturada à crise de saúde mental. Diferente de iniciativas de apoio genérico, o Higia fundamentou-se em uma metodologia de intervenção em crise, focada em dois pilares principais: as vítimas diretas e indiretas da COVID-19 e os profissionais que atuavam na linha de frente do combate à doença.
Atendimento a Vítimas e Familiares
O escopo para este grupo envolveu o suporte ao luto traumático. A impossibilidade de rituais de despedida e a velocidade das perdas geraram quadros de estresse pós-traumático (TEPT) em larga escala. O projeto operou através de redes de atendimento remoto, garantindo que o suporte psicológico chegasse a indivíduos em isolamento, utilizando protocolos validados para a estabilização emocional e o encaminhamento jurídico em casos de negligência ou necessidade de assistência social.
Suporte aos Profissionais da Linha de Frente
Os profissionais de saúde enfrentaram o que a literatura técnica denomina fadiga por compaixão e burnout severo. O Projeto Higia implementou grupos de escuta e suporte individualizado para médicos, enfermeiros e técnicos, visando a manutenção da capacidade operacional desses indivíduos. A atuação técnica de Andrea Vaz foi fundamental na operacionalização dessas frentes, garantindo que o suporte não fosse apenas paliativo, mas uma ferramenta de preservação da saúde ocupacional em ambiente de guerra sanitária.
Análise de Impacto: O Indicador de 4.000 Atendimentos
Os dados quantitativos do Projeto Higia revelam a escala da intervenção. Durante o período de maior incidência da pandemia, foram registrados mais de 4.000 atendimentos diretos e capacitações.




